Saber deixar ir



Estou neste momento a escrever este post e falta cerca de dez minutos para as duas da manhã. Nunca tive tanta vontade de colocar sentimentos em palavras. Geralmente quando preciso de aliviar sentimentos coloco-os nas músicas que canto ou no saco de boxe do ginásio mas hoje decidi fazer algo diferente. Acho que poderia ter usado esta inspiração no livro que estou a escrever mas não seria a mesma coisa, iria utilizar inspiração de assuntos negativos num trabalho que posso assumir que para mim é quase um filho. Por isso não utilizei.

Alguma vez sentiram medo de deixar algo da vossa vida simplesmente ir? Um familiar? Um amigo? Um parceiro? Ou medo de trabalhar em aspetos que vos colocará imensos obstáculos , por exemplo, deixar de fumar, trabalhar naquela compulsão alimentar ou naquele problema com álcool?

Como se sentiram ao deixar ir? Sentiram alívio? Peso no coração? Falta de ar? Vontade de chorar? Assim como só alguns conseguem fazer determinadas artes, na minha opinião, quem domina a arte de saber deixar ir é umas das pessoas mais gratificastes. É difícil desapegar de algo que nos era familiar, que nos provocava um estado, que nos oferecia um propósito. Quando deixa-mos ir, porque quisemos ou porque assim fomos obrigados, parece que tudo se torna vazio, ficamos incompletos mas ,visto de um lado mais positivo , simboliza que estamos a fazer uma renovação a nível de espirito e de  mentalidade.

Por vezes parece inacreditável como a vida muda de um momento para o outro. Os amigos passam a desconhecidos, a  pessoa que amávamos passa a ser a pessoa que mais nos provoca dor e aquele hábito que achávamos que nos fazia bem afinal só contribuia para uma morte silenciosamente mais rápida.

Deixar ir é doloroso. O ser humano adpata-se a banalidades e quando se vê sem elas tudo fica meio confuso, obscuro, triste. Por vezes acho que preferia ser uma máquina porque isto de ter sentimentos é a maior confusão de todas. No inicio somos feitos de lágrimas, depois vem a bipolaridade de que se fizemos bem ou não e quando achamos que não consegui-mos superar virá uma força sei lá de onde que nos diz para ir andando porque não perdemos o caminho, só fizemos um desvio e estaremos brevemente na rota principal.

Deixar ir é horrível mas saber deixar ir é harmonioso. É saber que sim, a dor é inevitável, iremos chorar, sofrer até mesmo abrir mais cicatrizes mas que no fim nos iremos curar e que a vida irá seguir.  O mundo é feito de movimento e nos também somos feitos de movimento. Se não era para ser então o melhor é deixar ir.

Acreditem. Lutem. E simplesmente deixem ir.

0 Comentários